Além do bizarro: Um dos diretores de Tokyo! cria a sua própria linguagem

Fonte: Wired

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“Interior Design”, dirigido por Michel Gondry, conta a estória de uma jovem japonesa alienada que se transforma numa cadeira. “Shaking Tokyo”, do mestre sul-coreano do horror Bong Joo-ho, começa em um hikikimori (termo de origem japonesa que designa um comportamento de extremo isolamento doméstico) que se apaixona por uma entregadora de pizza, tatuada com botões que, misteriosamente, ativam uma série de emoções.

Mas a estória mais estranha desse filme, que merece ser vista como arte, e que pode desfrutar de uma estreia digna, deve ser “Merde”, de Leos Carax. O escritor e diretor francês apresenta um ermitão com 7,5 cm de unhas (interpretado por Denis Lavant, na foto acima) que vive no sistema de esgoto de Tokyo. Preso por embarcar num atentado terrorista meio zumbi, ele fala em uma linguagem selvagem, entendida somente por um homem. As conversas entre o igualmente ultrajante advogado francês e seu prisioneiro, consiste somente em grunhidos, choros e uma fala inteligível, sem sentido, que quase atinge absurdos picos hipnóticos.

Carax , que previamente fez a fábula anti-social “The Lovers on the Bridge”, trocou emails com a Wired.com para explicar o método por trás da loucura de “Merde.”

Wired.com: Como você e o elenco desenvolveram essa linguagem bizarra? Improvisação?

Leos Carax: Não teve improvisação. Eu primeiramente inventei essa linguagem chamada “Merdogon,” e então trabalhei com os dois atores para achar as entonações e a linguagem corporal. Todos nós nos apaixonamos por essa linguagem e decidimos escrever algumas melodias Merdogon depois de filmar. Uma é chamada de “Hymn to Merde.” Você pode assisti-la no youtube, com Denis Lavant e vocais do VV, do The Kills.

Wired.com: As pessoas pensam em Tokyo como uma cidade futurista e hiper-civilizada, ainda assim, há uma besta vinda das profundezas. Da onde você tirou essa ideia de um ermitão do esgoto?

Carax: Eu tive a visão de “Merde” em um dia ruim, em que eu estava caminhando sozinho no boulevard Parisiense. Eu imaginei alguém (eu mesmo?) de repente saindo de um bueiro, aparecendo entre a multidão e atirando em todos que cruzavam o seu caminho. Me ocorreu que esse homem deveria vir de lugar nenhum. Um tipo de bicho-papão, o imigrante absoluto, uma criatura pré-histórica, o remanescente de um civilização perdida.

Wired.com: Toda grande cidade tem seu próprio personagem, ame ou odeie. Quais as qualidades mais intrigantes que você encontrou em Tokyo?

Carax: Eu nunca tive uma fascinação real pela cidade. O fato de que o Japão é uma ilha e que muitas coisas são reprimidas (memórias, sentimentos, etc) nutriram o projeto. O filme é chamado Tokyo!, com um ponto de exclamação. Meu segmento não é sobre Tokyo. É sobre o ponto de exclamação.

 

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